Formação Teológica


Vamos Baptizar o Nosso Filho
 
Introdução
 
Uma criança, desde o momento em que é concebida, é um dom para todos, muito especialmente para os pais, e uma missão que exigirá trabalho e sacrifício. O seu nascimento é uma nova etapa, em que os pais e toda a família sentem como uma bênção a alegria de alguém que chega. Os pais cristãos sabem que o filho lhes foi confiado por Deus e que, por isso, ao mesmo tempo que é um dom que fortalece todas as relações familiares e as torna mais vivas, também pede atenção e dedicação. A educação é uma missão grande demais para poder ser bem realizada sem a ajuda de Deus. Os pais, desde que sabem que vem aí uma criança, costumam, por isso, rezar para pedir ao Senhor as graças necessárias para o filho e sabedoria para serem bons educadores.
 
Jesus Cristo deu a sua vida por esta criança. Baptizá-la é introduzi-la no povo santo de Deus, é conferir-lhe o perdão do pecado original que nos traz a todos a esta vida sem a graça santificante, e, mais ainda, é torná-la uma nova criatura, uma verdadeira filha de Deus. Pelo Baptismo, entramos na vida nova de Jesus, recebemos o Seu Espírito e tornamo-nos luz do mundo, recebendo a missão de testemunhar o amor de Deus. Por isso, não há nada de mais importante e decisivo que se possa dar a um filho do que trazê-lo ao baptismo para receber a vida de Deus.
 
Uma criança baptizada precisa da ajuda dos pais e dos padrinhos para que todas as graças recebidas venham a desabrochar, e a ganhar plena estatura. A garantia duma educação cristã que os pais, ou alguém em nome deles, se compromete a dar à criança, é uma condição essencial para esta se baptizar. A Igreja, consciente de que o Baptismo é a introdução de alguém no seu seio, convida os pais a escolher os padrinhos entre os membros da Igreja que sejam seus amigos particulares. Estes têm a missão de acompanhar ao longo de toda a vida o afilhado e de lhe mostrar a beleza e a importância duma vida dentro da Igreja. Esta companhia particular é sinal da presença de toda a Igreja, que se faz sentir através de pessoas concretas e que convida cada baptizado a um caminho de santidade onde Deus está presente e se torna o centro afectivo.
 
As paróquias e outras comunidades de referência para as famílias costumam organizar formas de acolhimento. Os encontros de preparação para o Baptismo, e aquilo que se pode e deve fazer em família, servem para tornar belo e verdadeiro o que se vai celebrar e ajudam a família que pede o Baptismo do seu filho a tomar consciência da alegria de pertencer à Igreja, de se ser filho de Deus e Templo do Espírito Santo. Vem nesta linha o conselho que se dá a que pais e padrinhos se confessem para celebrar de maneira mais intensa o Baptismo do seu pequenino. O sacramento da Reconciliação é a forma como Cristo perdoa e renova o coração arrependido dos baptizados, de tal modo que pode ser considerado a renovação do próprio Baptismo.
 
Toda a celebração litúrgica do Baptismo está cheia de sinais e de palavras que ajudam a perceber o que está a acontecer. O ritual do Baptismo, com as orações e as explicações dos gestos que se devem fazer, é duma enorme riqueza. Cada palavra tem um sentido e uma história que se pode ir aprofundando. Os gestos, que procuram repetir o que o próprio Jesus disse e fez, ajudam a perceber que é mesmo Jesus quem está a baptizar. Estar com atenção ao que é dito e ao que é feito pelo ministro ajuda a entrar dentro da grandeza do que se está a celebrar mas também é importante preparar bem a Celebração para que ela possa ser vivida interiormente e com grande intensidade. Porque se trata dum sacramento, todo o ritual do Baptismo introduz-nos na Tradição da Igreja, mas tudo o que vemos é o sinal de algo que o próprio Deus realiza. O exterior é indispensável, mas pela fé sabemos que Deus realiza algo de muito maior que, em si, é invisível. Quando a água cai na cabeça da criança ela verdadeiramente é abraçada pelo amor de Deus que Lhe dá o Seu próprio Espírito. A consciência do que se faz ajudará todos, sobretudo os pais e os padrinhos, a sentirem o dom que lhes é dado e a responsabilidade que lhes é pedida.
 
 
A missão dos Pais
 
O início da relação com Deus
 
Ao lermos o Evangelho, podemos observar algumas situações da intervenção do Espírito Santo na vida da criança pequenina, até mesmo antes do seu nascimento (por exemplo, o salto de alegria de S. João Baptista no seio de sua mãe), o que indica que a Graça de Deus pode actuar na criança e que a criança é capaz de Deus desde o princípio da sua existência. Pelo Baptismo, acreditamos que a criança recebe realmente o Espírito Santo e começa uma vida de amizade com Deus.
 
A nossa relação com Deus encontra-se intimamente ligada e dependente das relações que vivemos, especialmente com os nossos pais (ou quem os substitua). Este vínculo que une uma criança aos seus é constituído pelos laços de união, de amor, de pertença mútua, que são o núcleo central do desenvolvimento ao longo de toda a vida.
 
Existe um certo paralelismo entre as relações familiares e a nossa relação com Deus. Por isso, quem experimenta um ambiente de confiança e de amor no seio da família pode, mais facilmente, experimentar a força e a beleza da relação com Deus.
 
E porquê?
 
- Porque, como cristãos, concebemos a experiência religiosa como sinónimo de relação: o Deus de que falam as Escrituras é um Deus que nos convida a uma relação pessoal, é um Deus que nos ama. O Papa Bento XVI, citando São João, sublinha isso mesmo no título da sua primeira encíclica - "Deus é amor".
 
- Porque a experiência de relação com Deus se faz por dentro da experiência das relações humanas, não são coisas separadas. «A criança não é sensível às palavras, aos discursos ou lições teóricas; a criança só assimila o que sente e vê» dizia Maria Ulrich - é a vivência que a criança faz da fé dos pais o terreno em que fica a semente, da qual desabrochará, mais tarde, a sua fé pessoal. Este terreno deve ser preparado o mais cedo possível. As experiências vividas podem encaminhar para uma experiência de Deus, mas também podem diminuir ou até mesmo anular a possibilidade dessa relação.
 
Etapas da caminhada
 
Muitas vezes os pais estão preocupados com a forma como os seus filhos falam de Deus e o sentem. Vale a pena, por isso, saber que a maneira como nos relacionamos com Deus tem um percurso normal, ainda que cada um o faça à sua maneira.
Do nascimento até aos dois anos e meio / três anos, a religiosidade da criança e a sua ideia de Deus não são pessoais, são ambientais, são baseadas na ligação afectiva com a mãe (e depois com o pai) e são fruto da sua identificação com as atitudes religiosas deles. Pode-se dizer que a criança se encontra num estádio afectivo-ambiental como dizia o Pe. José Arellano.
 
Aos três anos, a criança imagina Deus à semelhança dos seus pais. Acha que Ele é omnipotente, omnisciente e protector. É alguém que automaticamente premeia o bem e castiga o mal. Inicia-se assim uma nova etapa - o estádio fabuloso, no qual a criança imagina Deus à imagem do homem. A ideia de Deus encontra-se no plano do fantástico e do emotivo. Deus está num nível pré-mágico. O interesse por Deus é grande e a criança faz muitas perguntas a seu respeito. Gosta de participar nos momentos de oração ou nas celebrações, de uma maneira alegre e dinâmica.
 
Pelos quatro anos, Deus é um ser fantástico, estilo conto de fadas, fascinante. É alguém que castiga os maus. A criança é capaz de experiências religiosas profundas e originais no seu mundo de afectividade e fantasia.
 
Ainda segundo o Pe. José Arellano, pelos cinco anos, ocorre a primeira desmistificação das figuras do pai e da mãe e dá-se a primeira aclaração da imagem de Deus. Os pais deixam de ser detentores do poder absoluto, diferenciando-se assim de Deus, que se vai definindo como o Pai do Céu, numa imagem claramente mais universal mas ainda muito «humanizada».
 
Nesta idade, as principais características da religiosidade da criança são:
 
- imitação (das virtudes religiosas das pessoas queridas);
 
- procura de Deus como protector, servidor e provedor das suas necessidades;
 
- representação de Deus e do divino em termos humanos (antropomorfismo);
 
- reciprocidade "mágica" - pensa que, se aprender fórmulas, gestos e comportamentos exteriores referentes a Deus e se os realizar com perfeição, Ele retribuirá infalivelmente.
 
Como temos vindo a salientar, o conhecimento que a criança vai tendo de Deus está intimamente relacionado com as suas experiências, em primeiro lugar na família, mas também na creche ou jardim-de-infância e na comunidade cristã em que está inserida, daí a importância dos padrinhos e dos avós que são os rostos visíveis desta comunidade. Estas experiências podem ser constituídas por pessoas, locais, objectos e acções que são manifestações da vivência cristã. Alguns exemplos:
 
- objectos religiosos: crucifixos e medalhas; as figuras do presépio; imagens de Nossa Senhora ou dos santos; vestes litúrgicas; igrejas e santuários;
 
- acções: oração; gestos (mãos postas, genuflexão, etc); ir à missa com os pais ou com os avós; cânticos religiosos; Via-sacra; procissões; peregrinações.
 
- celebrações dos sacramentos e festas litúrgicas: Domingo; Natal e Páscoa; casamentos, baptizados, primeiras comunhões; bênção da casa, etc..
 
- pessoas / testemunhas: o Papa; os padres e as religiosas; os escuteiros; os catequistas da paróquia e os acólitos.
 
O papel dos pais
 
Percebemos a importância dos pais na construção da identidade da criança, especialmente nos primeiros anos de vida, portanto, é, sobretudo, a eles que compete despertar a criança para Deus. É uma etapa crucial que antecede a catequese paroquial, que, a partir dos 6 anos, vem colaborar com eles (e não substituí-los) na educação cristã dos seus filhos.
 
É muito importante que os pais ajudem a criança a:
 
- construir uma imagem positiva de si própria, que começa com a experiência de se sentir amada;
 
- descobrir e gerir as suas emoções;
 
- desenvolver a sua interioridade, apreciando o silêncio, a calma, a beleza;
 
- auto-controlar-se, aprendendo que ser livre não é fazer só o que se quer mas, ao contrário, é optar por não ser escravo dos instintos, das reacções automáticas, das opiniões dominantes ou da última moda;
 
- reflectir antes de agir;
 
- conhecer os seus próprios limites;
 
- ser exigente consigo própria, percebendo que através do esforço é capaz de ultrapassar barreiras e dificuldades;
 
- relacionar-se com os outros, confirmando a sua individualidade no meio dos pares e descobrindo a individualidade do outro;
 
- ser generosa, vivendo a alegria do dar e do dar-se;
 
- ser capaz de se sentir responsável pelos outros.
 
É também muito importante que os pais ajudem a criança a estabelecer uma relação com Deus que acontece através de Cristo e da Igreja:
 
- falando de Deus, sobretudo através das histórias da Bíblia e da vida dos Santos, que dão sentido às experiências de vida cristã;
 
- proporcionando experiências de oração, como construção de uma amizade com Jesus, e trazendo à oração a vida de todos os dias, as alegrias e as dificuldades;
 
- procurando responder com verdade às suas perguntas sobre o sentido da existência, da origem, do destino, do sofrimento;
 
- verificando que os pais têm uma relação de amizade com a Igreja, como comunidade daqueles que partilham a fé, para que seja claro que eles não pretendem que os filhos os sigam a eles, mas antes a Alguém grande e bom que eles, pais, também seguem.
 
O papel dos pais é proporcionar o encontro da criança com Deus facilitando-lhe experiências adequadas ao seu desenvolvimento e respeitadoras da sua liberdade. Os filhos não são propriedade nossa e, por isso, o nosso papel na relação da criança com Deus é principalmente uma mediação primária, um acompanhamento, deixando espaço para que a Graça de Deus actue na criança. Contudo, não nos podemos esquecer de que "a educação é, fundamentalmente, um caminho que se faz seguindo alguém cuja vida, pela beleza e verdade que irradia, atrai" e que os pais podem ser esses guias para os filhos.
 
«A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível» (Maria Montessori).
 
 
Como educar? Alguns aspectos a não esquecer:
 
Educar em casal: uma educação equilibrada deve ter a intervenção do pai e da mãe. Isto não significa que tenha que haver uma sintonia perfeita entre ambos, é até bom que os filhos compreendam a sua complementaridade, mas é importante que estejam de acordo em aspectos de fundo;
 
Testemunhar com a própria vida: uma proposta só é credível para as crianças se o for para os que as educam. É preciso que os pais sejam perseverantes no esforço de viver em sintonia com o ideal que querem propor aos filhos; sabendo que não somos, na prática, sempre coerentes, que temos muitas falhas, mas não desistindo desse ideal como critério no conselho que se dá, na avaliação de um acontecimento da vida social, de um filme que se vê, etc.;
 
Educar pelo diálogo: o tempo que temos com os filhos não deve tornar-se em monólogos nem "lições de moral". É preciso dar espaço e "tempo de antena" aos filhos; ouvir sem interromper; estar atento às diferenças de cada filho e compreender que a relação com cada um é sempre nova e diferente;
 
Autoridade: autoridade significa "aquilo que faz crescer"; não abdicar de ajudar os filhos a crescer implica ter critérios exigentes e não se ficar pelo "não tem mal" (se não tem mal, mas também não tem bem, é porque não ajuda a crescer!);
 
Humildade: reconhecer que o resultado dos nossos esforços não nos é dado conhecer, nem controlar; só Deus é Senhor do destino dos nossos filhos; a boa notícia é que é isso que Ele mais quer, mais e melhor do que nós!
 
A Missão dos Padrinhos
 
O sentido de existirem Padrinhos é uma ajuda a que «a graça baptismal possa desenvolver- se» (Catecismo da Igreja Católica 1255). Os Pais, os primeiros a ter essa ajuda como missão, escolhem Padrinhos para o seu filho, para terem apoio nessa grande responsabilidade. Querem que ele tenha alguém para quem olhar e a quem seguir; alguém que seja para ele um testemunho de vida e que possa dar-lhe, quando mais precisar, uma palavra certa ou um conselho decisivo; alguém, sobretudo, que lhe confirme a certeza de que não há tesouro maior na vida do que a amizade com Jesus.
 
Mas, se são para isso os Padrinhos, então é indispensável que eles sejam, como nos ensina a Igreja, «pessoas de fé sólida, capazes e preparadas para ajudar o novo baptizado no seu caminho de vida cristã».
 
Hoje, vivendo numa cultura sentimentalista, também os Pais cristãos caem na tentação de ter, na escolha dos Padrinhos, o critério afectivo como primeiro. Os Padrinhos são alguém de quem se gosta muito e a quem se quer manifestar esse mesmo sentimento, como quem diz: "sou tão teu amigo que te convido para Padrinho do meu filho".
 
Há um lado bom neste critério: a amizade verdadeira - e entre cristãos, em particular - é, geralmente, fundada numa afinidade de coisas importantes, ou mesmo essenciais. Por isso, é provável que as pessoas de quem mais se gosta sejam também pessoas com os dons mais indicados para serem bons Padrinhos.
 
Mas o critério afectivo traz consigo o risco de uma deturpação, que às vezes se torna numa pequena tirania: achar que o simples facto de se gostar de uma pessoa dispensa qualquer outro discernimento.
 
Ora, gostamos de muitas pessoas - e ainda bem que assim é - mas nem todas são, necessariamente, pessoas que levam uma vida digna de ser uma referência para os nossos filhos. Às vezes, parentes ou grandes amigos nossos, mantendo-se bem intencionados e com vontade de acertar, foram dando passos na vida que os afastaram do bem, da Igreja ou até mesmo da fé em Deus.
 
O aumento do número de casais divorciados e recasados civilmente, o aparecimento do fenómeno das "uniões de facto" e de outras manifestações em desacordo com a doutrina e moral da Igreja, vieram agravar esta situação. Não temos que deixar de ser amigos deles. Muito pelo contrário. Provavelmente, mais do que nunca, precisam da nossa companhia. Mas devemos encontrar outras maneiras de lhes manifestar amizade sem ser convidá-los para Padrinhos de um filho, porque isso é pôr o sentimento à frente do nosso dever primeiro de educadores dos nossos filhos.
 
Também decorrente do excesso de importância dado ao critério afectivo é a "rivalidade" entre Pai e Mãe da criança na escolha dos Padrinhos: se um dos Padrinhos é escolhido por ele, o outro tem que ser escolhido por ela; se os irmãos dum servem para Padrinhos, os irmãos do outro não são menos do que eles; etc. Pai e Mãe ficam escravos dos seus próprios laços afectivos, em vez de se unirem para fazerem, com liberdade, a escolha que é melhor para o filho.
 
Há ainda outro risco nesta forma de escolher Padrinhos: o velho argumento de que "há pessoas que não vão à Igreja mas são muito melhores do que aquelas que lá vão". Atenção, aqui o erro é mais grave. A fé e a fidelidade à Igreja são, em si mesmas, coisas muito boas e importantes, que não podem ser substituídas por se ser simplesmente "boa pessoa". Além disso, também é errado confiar mais na coerência humana do que na graça de Deus.
 
Para simplificar e tornar claro o que foi dito, devemos reter os seguintes critérios na escolha dos Padrinhos conforme está dito no Código de Direito Canónico que compendia a Lei da Igreja (can. 874):
 
- serem escolhidos pelos pais, ou por quem faz as vezes destes;
 
- terem completado 16 anos (pode haver excepções à idade mínima mas devem ser avaliadas pelo ministro ordinário - bispo, presbítero ou diácono - que vai baptizar);
 
- serem católicos, eucaristiados, crismados e levarem uma vida de acordo com a fé;
 
- não estarem em nenhuma situação canonicamente irregular (por exemplo, se forem casados terão de o ser pela Igreja);
 
- não serem o pai ou a mãe do baptizado.
 
A impossibilidade, por parte dos pais, de escolher para Padrinhos cristãos que correspondam às exigências acima formuladas não obsta à celebração do Baptismo, pois o Código de Direito Canónico (can. 872) só exige Padrinhos na medida do possível.
 
Ser Padrinho ou Madrinha é um desafio à seriedade da própria vida. Os Padrinhos são, junto do seu afilhado, a certeza da presença de Jesus, a proximidade da Igreja, a comunidade cristã que se faz companhia. Sendo assim, o Padrinho ou a Madrinha têm que reconhecer nessa missão um apelo para aprofundarem a sua fé e a verdade dos seus critérios. É bom que sejam fiéis à Missa de Domingo, se confessem e comunguem com regularidade, sustentem a sua fé com leituras boas e outros meios de formação. E é importante que rezem, especialmente pelo seu afilhado. Rezar por ele é um serviço precioso e ajuda-os a lembrar-se de que a amizade com Jesus é o melhor de todos os presentes.
 
Nos primeiros tempos de vida de um afilhado, a missão dos Padrinhos é essencialmente junto dos Pais, sendo para eles uma companhia na verdade da sua vida cristã. Uma maneira concreta de os ajudarem é oferecerem-se para tomar conta do afilhado para os Pais poderem ir juntos à Missa, participarem nalgum meio de formação útil ou simplesmente descansarem ou terem tempo para estar um com o outro.
 
À medida que a criança cresce, os Padrinhos devem acompanhá-la com a sua presença, para que essa convivência torne possível, mais tarde, poderem dar-lhe algum conselho ou corrigirem alguma atitude. A presença e a companhia são o ponto de partida duma amizade que se pode tornar decisiva no crescimento do afilhado.
 
Nesta fase, os Padrinhos podem ajudar os Pais na educação do seu filho; podem ajudá-los no critério de escolha de uma escola. Devem, também, lembrar aos Pais a importância de rezarem com o seu filho, nomeadamente no início das refeições e ao deitar. E garantirem que a criança tem catequese, na paróquia ou na escola.
 
Para uma criança, a unidade entre os adultos que são importantes na sua vida é um testemunho decisivo. Por isso, os Padrinhos devem evitar contrariar os Pais na frente da criança e resistir à tentação de aparecer diante do afilhado como uns heróis, muito mais atractivos do que os próprios Pais. Pela mesma razão, devem ajudar o casal a estar unido na maneira de educar o filho, nomeadamente superando divergências e acusações mútuas que, às vezes, surgem.
 
Na adolescência e vida adulta do afilhado, é importante a amizade verdadeira dos Padrinhos, que o encaminhe sempre no sentido do bem, mesmo que seja difícil. É bom para o afilhado reconhecer que pode contar com os seus Padrinhos, mas que eles são seguros nos critérios e o ajudam a crescer.
 
Uma última palavra para falar da importância dos Padrinhos nos momentos de sofrimento: doença, separação, dificuldade financeira, morte. É quando tudo parece desabar que mais falta faz uma rocha segura e essa é também a missão do Padrinho e da Madrinha.
 
Em conclusão, a vida é como uma estrada que nos leva ao destino bom para que estamos guardados. Os Padrinhos são chamados a uma paixão missionária pelo destino do seu afilhado e só poderão ter sossego nesse abraço inteiro e definitivo que só acontece no Céu.
 
PARTE II
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica
 
O Mistério Pascal nos sacramentos da Igreja
 
224. O que são e quais são os sacramentos?
Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, mediante os quais nos é concedida a vida divina. Os sacramentos são sete: o Baptismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos enfermos, a Ordem e o Matrimónio.
 
225. Qual a relação dos sacramentos com Cristo?
Os mistérios da vida de Cristo constituem o fundamento do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos sacramentos.
«O que era visível no nosso Salvador passou para os seus sacramentos» (S. Leão Magno).
 
226. Qual a ligação entre os sacramentos e a Igreja?
Cristo confiou os sacramentos à sua Igreja. Eles são «da Igreja» num duplo sentido: enquanto acção da Igreja, que é sacramento da acção de Cristo, e enquanto existem «para ela», ou seja, enquanto edificam a Igreja.
 
227. O que é o carácter sacramental?
É um selo espiritual, conferido pelos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem. Este selo é promessa e garantia da protecção divina. Em virtude de tal selo, o cristão é configurado a Cristo, participa de diversos modos no seu sacerdócio, e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas, sendo pois consagrado ao culto divino e ao serviço da Igreja. Dado que o carácter é indelével, os sacramentos que o imprimem recebem-se uma só vez na vida.
 
228. Qual é a relação dos sacramentos com a fé?
Os sacramentos não apenas supõem a fé como também, através das palavras e elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem. Ao celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica. Daí o adágio antigo: «lex orandi, lex credendi», isto é, a Igreja crê no que reza.
 
229. Porque é que os sacramentos são eficazes?
Os sacramentos são eficazes ex opere operato («pelo próprio facto de a acção sacramental ser realizada»), porque é Cristo que neles age e comunica a graça que significam, independentemente da santidade pessoal do ministro, ainda que os frutos dos sacramentos dependam também das disposições de quem os recebe.
 
230. Porque motivo os sacramentos são necessários para a salvação?
Embora nem todos os sacramentos sejam conferidos a cada um dos fiéis, eles são necessários para a salvação dos que crêem em Cristo, porque conferem as graças sacramentais, o perdão dos pecados, a adopção de filhos de Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja. O Espírito Santo cura e transforma aqueles que os recebem.
 
231. O que é a graça sacramental?
A graça sacramental é a graça do Espírito Santo, dada por Cristo e própria de cada sacramento. Tal graça ajuda o fiel, no seu caminho de santidade, bem como a Igreja no seu crescimento na caridade e no testemunho.
 
232. Qual é a relação entre os sacramentos e a vida eterna?
Nos sacramentos, a Igreja recebe já as arras da vida eterna, embora «aguardando a ditosa esperança e manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo» (Tit 2,13).
 
 
 
 
O sacramento do Baptismo
 
252. Quais os nomes do primeiro sacramento da iniciação?
Antes de mais, chama-se Baptismo por causa do rito central com que é celebrado: baptizar significa «imergir» na água. O que é baptizado é imerso na morte de Cristo e ressurge com Ele como «nova criatura» (2 Cor 5,17), Chama-se também «banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo» (Tit 3,5) e «iluminação», porque o baptizado se torna «filho da luz» (Ef 5, 8).
 
253. Como é prefigurado o Baptismo na Antiga Aliança?
Na Antiga Aliança encontram-se várias prefigurações do Baptismo: a água, fonte de vida e de morte; a arca de Noé, que salva por meio da água; a passagem do Mar Vermelho, que liberta Israel da escravidão do Egipto; a travessia do Jordão, que introduz Israel na terra prometida, imagem da vida eterna.
 
254. Quem conduz ao cumprimento tais prefigurações?
É Jesus Cristo, o qual, no início da sua vida pública, se fez baptizar por João Baptista, no Jordão: na cruz, do seu lado trespassado, derramou sangue e água, sinais do Baptismo e da Eucaristia, e depois da Ressurreição confia aos Apóstolos esta missão: «Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19-20).
 
255. Desde quando e a quem é que a Igreja administra o Baptismo?
Desde o dia de Pentecostes que a Igreja administra o Baptismo a quem crê em Jesus Cristo.
 
256. Em que consiste o rito essencial do Baptismo?
O rito essencial deste sacramento consiste em imergir na água o candidato ou em derramar a água sobre a sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
 
257. Quem pode receber o Baptismo?
É capaz para receber o Baptismo toda a pessoa ainda não baptizada.
 
258. Porque é que a Igreja baptiza as crianças?
Porque tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus.
 
259. O que se requer dum baptizando?
Ao baptizando é exigida a profissão de fé, expressa pessoalmente no caso do adulto, ou então por parte dos pais e da Igreja no caso da criança. Também o padrinho ou madrinha e toda a comunidade eclesial têm uma parte de responsabilidade na preparação para o Baptismo (catecumenado), bem como no desenvolvimento da fé e da graça baptismal.
 
260. Quem pode baptizar?
Os ministros ordinários do Baptismo são o Bispo e o presbítero; na Igreja latina, também o diácono.
 
Em caso de necessidade, qualquer pessoa pode baptizar, desde que entenda fazer o que faz a Igreja e derrame água sobre a cabeça do candidato, dizendo a fórmula trinitária baptismal: «Eu te baptizo em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».
 
261. É necessário o Baptismo para a salvação?
O Baptismo é necessário para a salvação daqueles a quem foi anunciado o Evangelho e que têm a possibilidade de pedir este sacramento.
 
262. É possível ser salvo sem o Baptismo?
Porque Cristo morreu para a salvação de todos, podem ser salvos mesmo sem o Baptismo os que morrem por causa da fé (Baptismo de sangue), os catecúmenos, e todos os que sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade (Baptismo de desejo). Quanto às crianças, mortas sem Baptismo, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus.
 
263. Quais são os efeitos do Baptismo?
O Baptismo perdoa o pecado original, todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado; faz participar na vida divina trinitária mediante a graça santificante, a graça da justificação que incorpora em Cristo e na Igreja; faz participar no sacerdócio de Cristo e constitui o fundamento da comunhão entre todos os cristãos; confere as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. O baptizado pertence para sempre a Cristo: com efeito, é assinalado com o selo indelével de Cristo (carácter).
 
264. Que significado assume o nome cristão recebido no Baptismo?
O nome é importante, porque Deus conhece cada um pelo nome, isto é, na sua unicidade. Com o Baptismo, o cristão recebe na Igreja o próprio nome, de preferência o de um santo, de maneira que este ofereça ao baptizado um modelo de santidade e lhe assegure a sua intercessão junto de Deus.
 
O Baptismo é o mais belo e magnífico dos dons de Deus. ( ... ) chamamos-lhe dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo, e tudo o que há de mais precioso. Dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada; graça, porque é dado mesmo aos culpados; Baptismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio (como aqueles que são ungidos); iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus.» (S. Gregório de Nazianzo, Oratio 40, 3-4)
 
Para baptizar uma criança é preciso...
 
1. Pensar nos padrinhos, de acordo com as exigências da missão que lhes é pedida. Se houver dúvidas, antes de convidar alguém falar com um sacerdote que verifique se a pessoa é idónea.
 
2. Ir à paróquia para combinar a data e os encontros de preparação, ou falar com um padre amigo para marcar a data.
 
3. Se o baptismo não for na paróquia de residência dos pais deve-se pedir uma Transferência de Baptismo na paróquia de residência a qual terá de ir à Cúria diocesana para ser concedida.
 
4. Na paróquia em que se vai celebrar o Baptismo é necessário preencher a folha com os dados da criança, dos pais e dos padrinhos que ficarão no registo do Baptismo.
 
5. Ter uma vela que vai representar a vida da fé daquele que vai ser baptizado. Convém que tenha símbolos cristãos e não seja confundida com uma simples vela decorativa.
6. Levar a criança alimentada e confortável para evitar choros.
 
7. Levar a criança vestida de branco.
 
8. Ter uma toalha com a qual se limpa a cabeça da criança logo após o Baptismo.
 
9. Com o sacerdote ou diácono que vai presidir à celebração, procurar combinar a liturgia de modo a personalizar mantendo o sentido comunitário do sacramento.
 
10. É de toda a conveniência que os padrinhos e os pais se confessem para preparar a celebração espiritualmente.
 
Quem é criança
 
São consideradas crianças aquelas que ainda não atingiram o "uso da razão". Esta etapa, não sendo facilmente definível, porque pode variar de criança para criança, é determinada pelo início do "ciclo básico" da escolaridade e o completar dos sete anos de idade. É assim definido o limite de idade para se poder baptizar como criança.
 
As Normas Pastorais para o Patriarcado de Lisboa sobre 'A Celebração dos Sacramentos e Sacramentais" indicam no n° 44, que o "ritmo de preparação (para os sacramentos de iniciação cristã ou catecumenado) das crianças em idade de catequese, consideradas canonicamente adultas, pode ser próprio".
 
As crianças "canonicamente adultas" a que alude o n° 44 das Normas Pastorais são, portanto, aquelas que iniciaram o ciclo básico de escolaridade e completaram sete anos de idade (cf. n° 5).
 
O n° 47, por sua vez, determina: "os três sacramentos de iniciação cristã dos adultos, o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia, devem ser administrados na mesma celebração e os catecúmenos devem ser preparados para os três sacramentos".
 
A preparação para os sacramentos de iniciação cristã terá a duração de 2 a 3 anos com conteúdos idênticos aos dos catecismos da Primeira Etapa (10, 20 e 30), mas adaptados à idade do grupo que a paróquia venha a constituir e no qual sejam integradas essas crianças "canonicamente adultas".
 
Seja qual for a idade da criança a baptizar, tanto ela como os pais (e até os próprios Padrinhos) deverão estar esclarecidos sobre o tempo necessário para a preparação dos sacramentos e a importância de uma catequese pós-baptismal.

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