Formação Teológica


INTRODUÇÃO

 
Durante o último período das vossas vidas aprenderam a amar-se. Percorreram um caminho que vos levou a conhecerem-se cada vez melhor, a aceitarem-se mutuamente, a partilhar alegrias e tristezas.
 
Hoje sentem que chegou o momento para realizar o que no início do vosso namoro era apenas um possível projecto de vida: CASAREM-SE.
 
Durante este tempo Deus não esteve ausente das vossas vidas, razão porque decidiram celebrar o Matrimónio na Igreja.
 
O passo que querem dar é muito importante e vai modificar as vossas vidas para sempre. É, pois, bom que se preparem para viver bem o vosso casamento.
Para vos ajudar nessa preparação, a Igreja põe à vossa disposição esta publicação, coma qual espera ajudar-vos a dar graças a Deus pelo vosso Amor e pelo futuro que vos espera.
 
 
PREPARAÇÃO
 
PORQUÊ CASAR?
 
Quando duas pessoas gostam uma da outra chegam a um momento em que sentem que o seu amor só avançará se unirem as suas vidas:
“Já nos conhecemos bem, sentimo-nos bem um com o outro, queremos partilhar as nossas vidas."
 
Essa união traz consigo, muitas vezes, o desejo de assumir perante a sociedade um compromisso firme, esperando que ela, em troca, reconheça o casal:
"Queremos dizer o sim todos os dias e ter testemunhas do nosso compromisso."
"Queremos ser reconhecidos e levados a sério como casal."
 
Traduz também geralmente o desejo de constituir uma família:
“Já verificámos o nosso amor e a solidez da nossa relação. Já podemos assumir, com responsabilidade e maturidade, o compromisso que achamos necessário à constituição de um lar e de uma família."
 
E nós, porque é que casamos?
 
PORQUÊ CASAR NA IGREJA?
 
Os noivos têm geralmente uma ideia do valor do Matrimónio Católico:
"Se não casássemos na Igreja, parecia que não casávamos."
"Se fossemos só ao Registo, fazíamos um contrato que poderíamos romper. Na Igreja, o compromisso é mais solene."
 
Mas o casamento na Igreja não deve surgir apenas para satisfazer os pais, por razões sociais ou por ser mais solene.
 
Muitos noivos querem casar na Igreja porque acham que Deus protegerá o seu amor:
«Perante Deus, o nosso compromisso é mais forte."
"Hoje amamo-nos, mas amanhã, como será? Contamos com Deus para nos ajudar a vencer este desafio."
 
Para outros noivos, o casamento na Igreja surge como uma evolução natural da sua relação:
"Se foi Deus que nos aproximou, Ele deve ser testemunha privilegiada do nosso amor."
"Queremos que Deus e a sua Igreja vivam connosco a nossa união."
 
E nós, porque queremos casar na Igreja?
 
QUE É O CASAMENTO CIVIL?
 
Visto como uma instituição ou, mais modernamente, como um contrato, o casamento civil é o compromisso que homem e mulher, maiores de 16 anos, consciente e livremente, pública e solenemente, assumem perante a sociedade.
 
Baseia-se na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges, que ficam obrigados a respeitarem-se, serem fiéis, coabitar, cooperar e assistirem-se mutuamente.
 
É celebrado perante um funcionário do Registo Civil, na presença de duas testemunhas e a vontade dos nubentes tem que ser manifestada no próprio acto da celebração.
 
“A vontade de contrair casamento importa aceitação de todos os efeitos legais do Matrimónio, sem prejuízo das legítimas estipulações dos esposos em convenção antenupcial."
Art.º 1618°, n.º. 1 do Código Civil
 
«O casamento baseia-se na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges."
Art.º 1671°, n.º. 1 do Código Civil
 
“A direcção da família pertence a ambos os cônjuges, que devem acordar sobre a orientação da vida em comum tendo em conta o bem da família e os interesses de um e de outro."
Art.º 1671°, n.º. 2 do Código Civil
 
«Os cônjuges estão reciprocamente vinculados pelo dever do respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência."
Art.º 1672° do Código Civil
 
“A celebração do casamento é precedida de um processo de publicações, regulado nas leis do Registo Civil e destinado à averiguação da inexistência de impedimentos.”
Art.º 1610º do Código Civil
 
“A celebração do casamento é pública e está sujeita às solenidades fixadas nas leis do Registo Civil"
Art.º 1615° do Código Civil
 
O MATRIMÓNIO CATÓLICO
 
Também o Matrimónio cristão assenta na vontade, livre e esclarecida, dos esposos de se darem um ao outro, mútua e definitivamente, com o fim de viverem uma aliança de amor fiel e fecundo. (cf. Catecismo da Igreja Católica - 1662)
Quando o casamento é celebrado por dois baptizados na Fé, ele é Sacramento. Através do seu "sim", os esposos recebem uma missão e uma graça matrimoniais - ser o sinal do próprio amor de Deus, do amor de Cristo pela sua esposa, a Igreja.
 
De facto "O Sacramento do Matrimónio é sinal da união de Cristo e da Igreja. Confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja; a graça do Sacramento aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos. Dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna"
Catecismo da Igreja Católica - 1661
 
Em Portugal, a lei civil reconhece ao Matrimónio católico valor e eficácia de casamento (Art.° 15870 do Código Civil).
 
Não é, pois, necessário, a quem se casa na Igreja fazê-lo também perante o funcionário do Registo Civil.
 
CASAMENTOS MISTOS E COM DISPARIDADE DE CULTOS
 
O Matrimónio misto é aquele que é celebrado entre um católico e um baptizado não católico, ou sela um baptizado noutra Igreja Cristã.
 
Embora os Matrimónios mistos devam merecer uma especial atenção, a diferença de confissão religiosa não impede o Matrimónio.
Para o Matrimónio misto é necessária permissão expressa da autoridade eclesiástica.
 
O casamento com disparidade de culto é o celebrado entre um católico e um não baptizado.
Quando haja disparidade de culto, é necessária uma dispensa expressa do impedimento, dada pela autoridade eclesiástica, para que o matrimónio católico seja válido.
 
Em ambos os casos os noivos devem conhecer e não rejeitar os fins e as propriedades essenciais do Matrimónio e as obrigações contraídas pelo que é católico, relativamente ao Baptismo e educação dos filhos na Igreja Católica.
 
Nestes casamentos, o esposo católico tem uma tarefa particular a cumprir.
 
“(…)o marido não crente é santificado por sua mulher e a mulher não crente é santificada pelo marido crente"
(1Cor 7,14)
 
O CASAMENTO
 
Se é a partida para uma vida nova...
Se é a etapa de uma aventura...
Se é fidelidade ao outro...
Se é uma aposta na vida...
Se é a festa em que partilhamos a nossa felicidade com os outros...
Se é a decisão de uma liberdade que se compromete para toda uma vida...
Se é o desejo de criar uma família e de se integrar na sociedade...
Se é a abertura do casal a Algo maior do que ele...
Se é o reconhecimento de Deus como fonte do Amor...
Então vale a pena - CASEMO-NOS!
 
 
CASAMENTO:
UM COMPROMISSO QUE SE DESDOBRA EM QUATRO
 
LIBERDADE
 
Falar de liberdade no Matrimónio cristão é algo que nos pode surpreender. Mas o homem é feito à imagem de Deus, e a forma d' Ele nos amar é deixar- nos livres para tomar as nossas decisões e para O seguir livremente. De igual modo, amar como Jesus amou corresponde a um desejo que se manifesta quando, no dia do nosso Matrimónio, nos perguntam:
"é de tua própria e livre vontade que pretendes contrair Matrimónio (..) ?"
 
Isto mostra uma vontade livre, não apenas bons sentimentos, mas uma voluntariedade, que é essencial. De tal forma, se a liberdade estiver ausente quando é celebrado o Sacramento, isto constitui motivo suficiente de declaração de nulidade do Matrimónio pelos tribunais eclesiásticos.
 
Viver a liberdade no Matrimónio implica encontrar o necessário equilíbrio. Há casais que se sufocam com demasiadas exigências, querendo estar juntos 24 horas por dia, não tendo cada um o seu próprio espaço, como quando um dos membros do casal é repreendido pelo outro por 10 minutos de atraso. Por outro lado, há os casais em que a liberdade é tanta, que se dispersam, e cada um faz o que quer, para seu lado. Por exemplo, um dos membros do casal chega sistematicamente tarde a casa ou tem muitas actividades sem a família. Por vezes, com este ritmo não há um mínimo de vida comum assegurada.
 
Deve haver cedências mútuas, de parte a parte.
"Eu quero sair hoje mas vou ficar em casa porque sei que estás cansado(a)", tal como compreensão para com o outro: "Sei que gostas de ir jantar com os teus colegas, eu não me importo de ficar em casa a tomar conta das crianças”.
 
No Matrimónio, deve-se estar atento ao outro para se descobrir a medida certa da sua liberdade, e respeitá-la. O casal deve fazer um esforço constante para permitir a cada um criar o seu espaço, existir na sua verdade singular, exprimindo as suas riquezas próprias, tais como a alegria, o carinho, o prazer, a tristeza.
 
Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade.
(Gal 5 1.13)
 
FIDELIDADE
 
A fidelidade deve ser entendida de uma forma abrangente e não de um modo redutor ("não trair o outro"). É um voto de confiança recíproca para cumprir as promessas do Matrimónio, confere uma solidez duradoura para um projecto de vida comum. O amor conjugal não é a prazo, mas sim definitivo e exige dos esposos uma fidelidade inviolável. À semelhança de Cristo com a sua Igreja, os esposos são chamados a viver a fidelidade no Matrimónio.
 
De acordo com o rito do Sacramento, esta é prometida entre os esposos:
"Estás decidido a amá-la/o, respeitá-la/o e a guardar-lhe inviolável fidelidade até à morte?"
 
As alianças que são trocadas simbolizam este compromisso:
"Recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade”.
Para cumprir o desejo criador de fazer o outro feliz, a fidelidade implica confiança e perdão. Quem ama, vai-se transformando e adaptando ao outro para o conseguir fazer feliz e perseverar no amor conjugal.
 
"Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha firme. Caiu a chuva; vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava assente sobre a rocha.
Mas quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva; vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína”.
(Mt 7,24-27)
 
FECUNDIDADE
 
"Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra"
(Gn 1,28)
 
O Matrimónio tem uma dupla finalidade: o bem dos esposos e a transmissão do dom da vida. Sendo estes dois significados inseparáveis, da união dos esposos resulta a fundação de uma nova família. Nesta surge o mistério da fecundidade, pela Graça de Deus. Quando os esposos enriquecem o seu amor com filhos, um mais um já não é igual a dois. Desta forma, o Matrimónio chama os esposos a participar do Amor criador de Deus, como pais de uma nova vida.
 
Para que as crianças sejam recebidas como pessoas completas, é preciso entendê-las como dádivas que não se "fazem" mas se "recebem". A fecundidade do amor conjugal não se limita à procriação dos filhos, mas deve estender-se também à sua educação moral e formação espiritual, que constitui uma responsabilidade dos esposos.
 
Mesmo àqueles a quem Deus não concedeu a graça do dom de dar a vida, o desejo de fecundidade enriquece o seu amor. Podem ter uma vida conjugal cheia de sentido, sendo fecundos em caridade para com os outros. Como tal, a adopção pode ser entendida como um caminho a seguir.
 
INDISSOLUBILIDADE
 
Para sempre...
No Matrimónio não se trata apenas de um contrato jurídico, mas de um pacto de aliança abençoado por Deus, feito em liberdade. À semelhança da união de Deus com o Seu povo e de Cristo com a Sua Igreja, também os esposos são chamados a um amor eterno, que quebre a barreira do tempo. Mais do que um acto de confiança radical, em si próprio e no outro, o Sacramento do Matrimónio proclama um amor sem fim, até ao fim.
 
Amar para toda a vida é um grande desafio. Implica aceitar para sempre o outro, com as suas virtudes e limitações, e tudo o que o futuro trouxer. Obriga a um esforço de renovação para evitar a rotina... Mas, antes de mais, é algo que corresponde à experiência do amor que se vive: só o "para sempre, o pedido dos dois corações que se amam. Quando tudo isto é vivido com amor e com verdade, então o fruto é o permanente desenvolvimento d união que Deus realiza através da Graça do Sacramento pelo qual:
“serão dois numa só carne”
(Ef. 5,31)
 
A força que nos faz vencer esta aposta vem da presença de Deus na vida do casal, pela graça do Sacramento do Matrimónio. E viver para sempre com quem amamos é o maior privilégio que se pode desfrutar.
“Não separe o homem aquilo que Deus uniu”
(Mt. 19,6)
 
 
VIDA A DOIS
 
"Se tu és diferente de mim, não me diminuis, enriqueces-me"
Saint-Exupéry
 
Com o Matrimónio, a vida passa a ser vivida a dois. Enfrentam-se novos desafios e as circunstâncias são diferentes.
 
O AMOR CONSTRÓI-SE DIA A DIA
 
O diálogo
Devem dialogar com frequência: conversar sobre as pequenas coisas do dia a dia, sobre o que gostaram e o que vos desagradou, das várias coisas que ocorreram, dos projectos, dos desejos e dos sonhos ... Só assim se vive uma vida partilhada.
 
É importante nunca esquecer de dizer que gostam um do outro e de agradecer pelas pequenas coisas que vos deram prazer.
 
Mas o ritmo da vida, o stress, o cansaço vão diminuindo a disponibilidade para o diálogo.
 
A vivência da fé pessoal e em família são pontos sobre os quais precisam de dialogar.
 
"Que o diálogo entre nós nunca se interrompa, mas cresça em quantidade e qualidade ao longo da nossa vida"
 
As pequenas atitudes
As atitudes do dia-a-dia vão alimentar e fazer crescer o amor conjugal. As palavras e os gestos de afecto e carinho são muito importantes para o casal.
 
São os pequenos gestos e as pequenas palavras que fazem com que os grandes amores durem para sempre.
 
O perdão
Sendo a nossa condição humana muito frágil, ninguém está livre de errar. A palavra "perdoar" vem do latim e significa que, apesar de tudo, quero dar-te o meu amor.
 
O "sim" do casamento inclui a aceitação não só das qualidades, mas também das limitações e dos defeitos. As vossas diferenças exigirão uma permanente atitude de compreensão, tolerância e, por vezes, de perdão.
 
"A caridade é paciente, a caridade é benigna, não é invejosa; a caridade não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente; não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo cré tudo espera, tudo suporta."
(I Cor 13,4)
As novas situações
A vida de casados traz novas situações no relacionamento com as vossas famílias e com os grupos de amigos e relativamente às actividades, desportos, diversões em que estavam empenhados ou a que se dedicavam em solteiros.
 
Vai também exigir atitudes de:
• Renúncia
• Respeito pela personalidade do outro
• Adaptação mútua
na construção de uma nova vida assente no que mais dá alegria: o amor.
 
"Senhor
Fazei com que eu procure mais:
Consolar do que ser consolado,
Compreender do que ser compreendido,
Amar do que ser amado."         
S. Francisco de Assis
 
A EXPRESSÃO DO AMOR
 
O ser humano é homem e mulher. Amar é dar-se um ao outro e acolher-se mutuamente.
 
E quando o amor é de tal maneira seguro e sólido que leva a um compromisso perene dos dois diante de Deus e da sociedade através do Matrimónio, então a relação amorosa atinge a sua expressão própria que é a união sexual.
 
A relação sexual, embora não seja o único meio de expressão do amor, é ou deve ser a mais profunda e comprometedora comunicação entre duas pessoas de sexo diferente. Exprime a fusão do casal e da vida numa doação total e definitiva, na união do corpo e também do espírito. É necessária ao crescimento e à consolidação do amor conjugal.
 
Todo o diálogo entre duas pessoas exige verdade, humildade, tempo e paciência. O diálogo sexual também se rege pelas mesmas leis. A utilização sexual do outro, pensando apenas no próprio prazer, não é diálogo - é monólogo e pode ser expressão de egoísmo.
 
O modo de ser do homem e o da mulher são diferentes e complementares. Através da vossa união, cooperam na construção do mundo e, por conseguinte, na obra de Deus.
 
"São honestos e dignos os actos pelos quais os esposos se unem em intimidade e pureza"
Concílio Vaticano II, Gauclium et Spes
 
 
A FECUNDIDADE NA VIDA DO CASAL
 
Terão um filho, dois, uma família numerosa? Falar da família com que sonham é importante. É a ocasião ideal de falar da família de onde vieram, como viveram o facto de serem filhos únicos, ou de ter muitos irmãos.
 
Quantos filhos? Há o ideal e há a vida, que vos fará reajustar o vosso desejo. A Igreja propõe-vos que projectem a vossa fecundidade a partir dos ciclos naturais da mulher e da vontade do casal. São, pois, convidados a uma paternidade responsável, assente no respeito pela vida, procurando harmonizar os desejos com as exigências que a consciência impõe, para acolher e amar as crianças que, pela graça de Deus, vos forem confiadas.
 
Com os filhos, nada será como dantes. Com a vinda de uma criança uma nova vida começa. Para os pais, é uma grande alegria e também um compromisso para toda a vida. De casal, passam a família. Acabam-se as manhãs de preguiça ou as saídas decididas à última hora. Tem que se contar com as necessidades e os ritmos próprios da criança.
 
"Mais de que o dia em que me casei, dei-me conta do meu compromisso no dia em que o meu filho nasceu. Senti então a realidade e a escolha que tinha feito. Um bebé não dá tempo para reflexões. Está lá e exige."
Ana, 29 anos.
 
Isto não significa que o casal tenha de se fechar em casa. Será possível pedir ajuda à família, aos amigos, aos vizinhos. Mas os tempos livres e as relações com os amigos passam a viver-se de forma diferente. É uma nova etapa da vida adulta do casal.
 
Embora pareça evidente, deve sublinhar-se: o casal está primeiro. Não há filhos sem o casal e, quanto mais o pai e a mãe estejam felizes e realizados, mais as crianças beneficiam. É por isso importante reservar momentos específicos para o casal.
 
A fecundidade do casal não se esgota nos filhos: passa por dar ajuda e atenção aos outros, participar na vida da sociedade ou até pela adopção.
 
Tenhamos presente que os filhos não são "nossos"; eles existem para eles mesmos, para o mundo e para Deus.
 
"A fecundidade é amar e acolher crianças numa família aberta aos outros"
Xavier Lacroix
 
DEUS PRESENTE NO NOSSO CASAMENTO
 
Diante de Deus, o compromisso que assumiram é mais forte e não pode ser posto em causa. Deus estará convosco para assegurar tal aposta. Lembrem-se que Ele estará sempre presente no vosso Matrimónio.
 
“Amamo-nos hoje, e tudo parece fácil. Mas, e amanhã? Contamos com Deus para nos ajudar."
 
Se, como cristãos, sabemos que Deus é amor, é evidente que Ele tem qualquer coisa a ver com o amor humano. Deus não resolve os problemas, mas, com Ele, mais facilmente somos capazes de acalmar os medos e de viver com outro sentido os sofrimentos e as alegrias.
 
Se, no Matrimónio, se abrirem a Deus, então receberão uma parte da força e da ternura que é própria da Aliança de Deus com o seu Povo.
 
Uma noite, tive um sonho...
 
Sonhei que andava na praia, passeando com o Senhor e, no céu, passavam cenas da minha vida. À medida que passavam, iam ficando pegadas na areia: umas minhas, outras do Senhor.
Ao olhar para elas notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas. Vi que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.
 
Disse então ao Senhor:
- Tu disseste-me que, quando decidi seguir-Te, andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, durante as maiores tribulações, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que, nas horas em que eu mais precisava de Ti, Tu me deixaste sozinho.
 
Respondeu-me o Senhor
- Meu querido filho, jamais te deixaria sozinho nas horas de prova e sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi nessas alturas que te levei ao colo.
 
A EVOLUÇÃO DO NOSSO AMOR
 
O amor que sentem hoje vai crescer, amadurecer, evoluir, tal como todo o vosso ser. Mas ele precisa da vossa atenção e cuidado:
 
"Não casamos porque nos amamos. Casamos para nos amar"
 
Como em todos os processos de crescimento, pode haver momentos de desilusão ou frustração. Para os ultrapassar temos de sair de nós próprios para acompanhar o outro, temos de dar e de saber receber.
 
"A ternura é um "sésamo" que tudo pode. É da ternura que temos necessidade no olhar do outro. Ela perdoa, faz reconhecer os próprios defeitos, reergue e alarga os limites. O exemplo mais perfeito de ternura é a ternura de Deus
 
O Matrimónio é como um fogo do qual é preciso saber ocupar-se: se se sopra demasiado, pode apagar- se; se se cuida todos os dias, aquece e radia. Mas a chama necessita de um espaço de liberdade para crescer e amadurecer.
               
A força do amor de Deus e a graça do Sacramento renovado em todas estas trocas de ternura podem por si só permitir a estes "lares" nunca mais se apagar"
João e Maria.
 
 
 
PREPARAR A CELEBRAÇÃO
DO MATRIMÓNIO
 
A celebração do vosso Matrimónio pela Igreja exprime o vosso compromisso mútuo, mas exprime também o compromisso de Deus que ama toda a humanidade com um amor incondicional, o compromisso de Cristo que entregou toda a sua vida e ama a sua Igreja, da qual vocês são membros.
 
A CELEBRAÇÃO DO MATRIMÓNIO:
COM OU SEM MISSA?
 
Muitos matrimónios são, por várias circunstâncias, celebrados sem Missa.
 
Mas, se participam normalmente na Missa, pelo menos aos domingos, é normal que o vosso matrimónio seja celebrado dentro da Eucaristia. No entanto, será necessário ter em conta a sensibilidade religiosa das vossas famílias e dos vossos convidados. Deverão dialogar com o pároco ou o sacerdote que vai presidir à celebração.
 
De facto, entre o Matrimónio e a Eucaristia existe uma relação muito profunda:
- A Eucaristia é o sacramento da nova e definitiva Aliança de Deus com a humanidade, realizada por Jesus Cristo na sua morte e ressurreição.
- O Matrimónio é o sacramento da vossa aliança de amor e também sacramento da aliança de Cristo com a sua Igreja.
 
Assim, celebrar a Eucaristia e o vosso Matrimónio é querer celebrar a vossa aliança de amor à imagem da aliança de Cristo com a sua Igreja, por todos nós. Comungando o Corpo de Cristo alimentam o compromisso de querer viver e construir a vossa comunhão de amor, vivem a comunhão com toda a Igreja e são enviados como sinal de comunhão junto das outras pessoas.
 
E O SACRAMENTO
DA RECONCILIAÇÃO?
 
Para viver e celebrar esta comunhão é necessário viver e celebrar o perdão e a reconciliação com Deus, com os outros e connosco próprios através deste sacramento que Jesus deixou à sua Igreja.
 
É que qualquer sacramento comunica uma graça que será tanto melhor acolhida quanto mais forte e mais viva está a relação com Cristo. O sacramento pelo qual o Senhor nos dá o Seu perdão é um dom que deve ser aproveitado.
 
A CELEBRAÇÃO DO MATRIMÓNIO
DENTRO DA MISSA
 
A celebração da Eucaristia e do Matrimónio realiza- se com os seguintes elementos, que devem ser antecipada e cuidadosamente preparados:
•             Acolhimento e Ritos iniciais, Oração Colecta
•             Liturgia da Palavra e homilia
•             Rito do Matrimónio
•             Oração universal ou dos fiéis
•             Liturgia Eucarística: Apresentação das Ofertas, Oração Eucarística, Pai Nosso, Bênção Nupcial, - Comunhão
•             Oração conclusiva e Bênção Final
               
 
A CELEBRAÇÃO DO MATRIMÓNIO
SEM MISSA       
 
 
A celebração do Matrimónio sem Missa realiza-se através dos seguintes elementos:
•             Acolhimento e Ritos iniciais, Oração Colecta
•             Liturgia da Palavra e homilia
•             Rito do Matrimónio
•             Oração universal ou dos fiéis
•             Bênção Nupcial
•             Comunhão (Se houver distribuição da Comunhão e se os noivos estiverem preparados)
•             Oração conclusiva e Bênção Final
 
ESCOLHA DAS LEITURAS
DA PALAVRA DE DEUS
 
A Palavra de Deus ilumina e dá sentido à nossa vida de cristãos, alimenta a nossa Fé. Por isso, ela deve estar sempre presente em todas as celebrações dos sacramentos.
 
A Palavra de Deus na celebração do vosso Matrimónio situa o vosso amor no contexto da Aliança de Deus com a humanidade e faz com que o vosso amor seja inserido nesta grande história de amor.
 
Assim, a celebração do vosso Matrimónio, com Missa ou sem ela, deve ter três leituras da Palavra de Deus e um salmo, ou, pelo menos, duas leituras e um salmo.
 
Podem escolher uma leitura do Antigo Testamento, outra do Novo Testamento, um salmo e o Evangelho.
 
Apresentamo-vos, na secção “Ritual”, algumas leituras bíblicas que são propostas pelo ritual da celebração do Matrimónio, com um breve comentário que resume a mensagem de cada uma.
 
ORAÇÃO AOS NOIVOS
 
Ó Deus! Faz com que a tua graça guie o pensamento e as obras deste casal para o bem da sua família e de todas as famílias do mundo.
 
Faz com que o amor reforçado pela graça do Sacramento do Matrimónio seja sempre mais forte do que todas as fraquezas e do que todas as crises que possam afectar a sua família.
 
Faz com que este casal encontre na família um forte apoio para a sua humanidade e o seu crescimento na Verdade e no Amor.
 
Ámen
João Paulo II
 
               
E DEPOIS?
 
Como é que o casal se pode integrar na vida da Igreja
Unidos em Cristo, sendo um testemunho vivo do Seu amor por nós, Igreja, aceitem o desafio que Ele vos faz e venham participar activamente na vida da Comunidade Cristã.
 
Contactem, para o efeito, a vossa Paróquia ou o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, que vos ajudarão a escolher o serviço ou o movimento para que se sintam mais vocacionados.
 
Contamos convosco!

Contacto

Igreja Paroquial
R. Raúl Carapinha, nº 15
1500-541 Lisboa
Tel. 217221350

Email:  secretaria@paroquiasaodomingosdebenfica.pt

Todos os direitos reservados © PARÓQUIA DE S. DOMINGOS DE BENFICA 2017 Realizado por Terra das Ideias